RÁDIO JESUS VIRÁ\SOTELO

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014


 ADMINISTRAÇÃO
ECLESIÁSTICA
CONCEITO GERAL DE ADMINISTRAÇÃO


O termo “administração” vem do latim ad (direção, tendência para) e minister (subordinação
ou obediência), designa o desempenho de tarefas de direção dos assuntos de um grupo.
O conceito de Administração é bastante amplo, mas em todas as definições existem duas
palavras-chave: gerenciamento e organização. Isso pode ser comprovado nas palavras dos
estudiosos Stoner e Feeman, os quais ensinam que Administração é o "processo de planejar,
organizar, liderar e controlar o trabalho dos membros da organização, e de usar todos os
recursos disponíveis da organização para alcançar os objetivos definidos”.
A administração é uma ciência social que está relacionada a todas as atividades que envolvem
planejamento, organização, direção e controle. [...] a tarefa da administração é a de
interpretar os objetivos propostos pela organização e transformá-los em ação organizacional
por meio de planejamento, organização, direção e controle de todos os esforços realizados
em todas as áreas e em todos os níveis da organização, a fim de alcançar tais objetivos de
maneira mais adequada à situação.
A administração já foi chamada de “a arte de fazer as coisas através de pessoas”. Esta
definição foi dada por Mary Parker Follet.
A administração é essencial em toda a cooperação organizada (e a igreja se enquadra), é a
ação de dirigir o bom andamento dos propósitos estabelecidos. Em nosso caso, como igreja, o
pastor tem que acompanhar os objetivos propostos pela igreja e transformá-los em ação
através de planejamento, organização, direção e controle de todos os esforços realizados em
todas as áreas e em todos os níveis a fim de atingir tais objetivos.
I. ORIGEM
Desde o início dos primeiros grupos sociais, a fim de conduzir bem os trabalhos, surgiu a
necessidade de estabelecer uma escala de comando cuja função seria dirigir e gerir esses
trabalhos coletivos. Diga-se de passagem, que a Igreja é um agrupamento humano com um
objetivo a ser alcançado, um propósito a ser atingido, um alvo para cumprir.
A administração é necessária, pois desde
muito cedo se verificou que é impossível
ao homem realizar a maioria das atividades
que a própria sobrevivência lhe exigia, sem
o auxílio de outras pessoas. Mas esse
auxílio só poderia ser eficaz em
determinadas circunstâncias, que pouco a
pouco passou a conhecer. Como resultado
imediato, surgiu um conjunto de atividades
e de atitudes que tomaria o nome de
administração e que, com o decorrer do
tempo, se transformou num campo
definido de conhecimentos científicos.
Imagem meramente ilustrativa.
Muitos autores têm negado que a administração constitua uma ciência na exata expressão da
palavra. Na verdade, toda ciência se caracteriza pelo conhecimento metodizado da verdade
em relação a um conjunto definido de fenômenos ou fatos. Se bem que, como todas as
ciências sociais, a administração apresente uma grande complexidade, devido aos inúmeros
fatores integrantes de seus fenômenos.
A administração apareceu como ciência independente no fim do século XIX. “Todo homem
procura obter o máximo com o mínimo de esforço”. Este princípio determinou a procura do
rendimento máximo para qualquer atividade humana e, conseqüentemente, o estudo de como
obter esse rendimento. Frederick W. Taylor nos estados Unidos já no século XVIII
comprovou que a baixa produção em qualquer atividade se deve à falta de uma metodologia
da produção.
A realização de um objetivo, porém, se faz por meio de um processo divisível em partes ou
etapas que, na sua continuação, levam ao resultado final. Essas etapas podem ser definidas e
caracterizadas por funções específicas, marcadas por um grau maior ou menor de dificuldades
que exigirão um grau maior ou menor de especialização. Assim o processo de realização de
um objetivo pode ser estudado como uma série de funções especializadas; funções que devem
ser reunidas para se obter, da forma mais eficiente, o resultado almejado. Veja abaixo as
diversas teorias da administração.
ASPECTOS
PRINCIPAIS
ABORDAGENS PRESCRITIVAS E NORMATIVAS DE
ADMINISTRAÇÃO
Teoria TEORIA CLÁSSICA TEORIA DAS
RELAÇÕES
HUMANAS
TEORIA
NEOCLÁSSICA
Ênfase Nas tarefas e na estrutura
organizacional
Nas pessoas No ecletismo: tarefas,
pessoas e estrutura
Abordagem da
Organização
Organização formal
exclusivamente
Organização
Informal
exclusivamente
Organização formal e
informal
Conceito de
Organização
Estrutura formal como
conjunto de órgãos,
cargos e tarefas
Sistema social como
conjunto de papéis
sociais
Sistema social com
objetivos a serem
alcançados
racionalmente
Principais
Representantes
Taylor, Fayol, Gilbreth,
Gantt, Gulick, Urwick,
Mooney, Emerson
Mayo, Follet,
Roethlisberger,
Dublin, Cartwright,
French, Zalesnick,
Tannenbaum, Lewin.
Drucker, Koontz,
Jucius, Newman,
Odiorne, Humble,
Gelinier, Schleh, Dale.
Característica Básica
da Administração
Engenharia Humana e
Engenharia de Produção
Ciência Social
Aplicada
Técnica social básica e
administração por
objetivos
Concepção do
Homem
Homo Economicus Homo Social Homem
Organizacional e
administrativo
Comportamento
Organizacional do
Indivíduo
Ser isolado que reage
como indivíduo
(atomismo tayloriano)
Ser social que reage
como membro de
grupo social
Ser racional e social
voltado para o alcance
de objetivos individuais
e organizacionais.
Sistema de
Incentivos
Incentivos materiais e
salariais
Incentivos sociais e
simbólicos
Incentivos mistos,
tanto materiais como
sociais.
Relação entre
Objetivos
Organizacionais e
Objetivos
Individuais
Identidade de interesses.
Não há conflito
perceptível.
Identidade de
interesses. Todo
conflito é indesejável e
deve ser evitado.
Integração entre
objetivos
organizacionais e
objetivos individuais.
Resultados
Almejados
Máxima eficiência Satisfação do
operário
Eficiência e eficácia.
Tabela 01: Esquema Comparativo das Teorias da Administração Fonte:
CHIAVENATO,1993, 627
II. A ADMINISTRAÇÃO ECLESIÁSTICA
Embora possamos adotar alguns princípios da administração secular, não obstante, a Igreja
precisa ser norteada por outros princípios. Em virtude de sua natureza, a Igreja não se
confunde com nenhuma sociedade ou grupos éticos. A sua corporalidade, organicidade,
fraternidade, unicidade e consensualidade nascem, estruturam-se e se perpetuam na
regeneração em Cristo Jesus, o criador da comunhão dos santos.
A missão da igreja é ser serva de Jesus Cristo pelo culto permanente e exclusivo à Trindade;
pelo amor interno, que confraterniza seus membros; pela fidelidade às Escrituras; pela
igualdade de seus componentes; pela missão evangelizadora entre todos os povos; pelo
incansável testemunho cristão.
1) O Termo Bíblico para Administração
A palavra despenseiro (Gr. oikonomos) é encontrada dez vezes no Novo Testamento. Por
vezes é também traduzida por “mordomo” (Lc 12.42) ou “administrador” (Lc 16.1), e
eventualmente, como “tesoureiro” (Rm 16.23) ou “curador” (Gl 4.2). A responsabilidade do
despenseiro (Gr. oikonomia) é mencionada nove vezes, sendo traduzida por “administração”
(Lc 16.2), “dispensação” (Cl 1.25) ou “serviço” (1Tm 1.4). O conjunto de palavras tem como
radicais os vocábulos “casa” (Gr. oikos) e “lei” (Gr. nomos). No grego clássico, oikonomia
significava, originalmente, a gerência de um lar, e oikonomos denotava o mordomo da casa.
No latim, o termo é oeconomia, de onde se deriva o nosso vocábulo economia. Despenseiro
equivale a ecônomo, originalmente um indivíduo encarregado da administração de uma casa
grande (Cf. Isaias 22:19, 21; Lc 16:1-17).
No Novo Testamento, despenseiro (oikonomos) refere-se ao administrador da casa e das
propriedades de um Senhor. No Evangelho de Lucas, o termo se emprega alternadamente com
“escravo” (Gr. doulos).
O despenseiro ou mordomo tinha direito legal de agir em nome do seu senhor, e deveria ser
fiel e prudente (Lc 12.42, 1Co 4.2). Um período de tempo determinado era concedido ao
despenseiro, embora ele não soubesse por quanto tempo haveria de durar a sua administração.
Deus permite aos homens, enquanto suas criaturas, serem despenseiros. Somos despenseiros
sobre a criação de Deus. Ao criar o homem e a mulher à sua imagem e semelhança, Deus os
fez responsáveis. Na qualidade de criatura de Deus, o homem deveria cuidar da criação que
Deus colocou diante dele e à sua disposição, e desenvolvê-la. Isso fez o primeiro casal
responsável diante do Criador no exercício de domínio e sujeição da natureza, assim como no
relacionamento com outros homens e também no seu relacionamento com Deus. “E Deus os
abençoou e lhes disse: Sede fecundos e multiplicai-vos, enchei a terra e sujeitai-a; dominai
sobre os peixes do mar, sobre as aves dos céus e sobre todo animal que rasteja pela terra”.
Isso mostra o papel central que Deus havia reservado para o ser humano, dentro de sua
criação. Obedecendo ao Criador o ser humano estaria desenvolvendo seu relacionamento com
ele e sendo fiel. O homem estaria cumprindo o seu mandato (Gn 1.26, 28, 2.15). O homem
deveria tomar tempo para cultivar o solo, exercer o domínio e, conseqüentemente, desfrutar
do trabalho de suas mãos. Fazendo assim, também estaria obedecendo ao Criador que o havia
criado e equipado para tais coisas. O ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus,
deveria, em certo sentido, representar o Criador e fazer cumprir a sua soberana vontade.
Assim, exerceria uma espécie de papel de “gerência” ou de “mordomo”. Um dos mais
proeminentes ensinos da Bíblia é que o homem responde perante Deus. É responsabilidade
inescapável do homem que algum dia ele deve prestar contas ao Criador.
Na sua inaudita graça, Deus permite aos seus filhos serem despenseiros. Somos mordomos
sobre a Casa de Deus. “Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como
bons despenseiros da multiforme graça de Deus” (1Pe 4.10). O povo de Deus, a comunidade
de Deus, é sua casa (1Tm 3.15). Assim, o Novo Testamento, a partir dos ensinos de Jesus
Cristo, adverte-nos que a mordomia sábia e diligente, a serviço do Mestre, é importante. Os
despenseiros não devem considerar as questões da casa como sendo assuntos particulares
deles; são meramente despenseiros dos dons que lhes foram confiados, e devem prestar contas
de sua administração. E a fiel administração determina que Deus confiará ao despenseiro as
riquezas maiores, verdadeiras.
O pastor possui funções privativas e atribuições, que quando desenvolvidas, demonstram que
está sendo um bom administrador, um bom mordomo dos bens que pertencem ao Senhor:
2) Funções privativas.
a) Administrar os sacramentos (cerimônias).
b) Invocar a Benção Apostólica sobre o povo de Deus.
c) Celebrar casamento religioso com efeito civil.
d) Orientar e supervisionar a liturgia na Igreja de que é pastor.
3) Atribuições.
a) Orar com o rebanho e por ele.
b) Apascentá-lo na doutrina Cristã.
c) Exercer as suas funções com zelo.
d) Orientar e superintender as atividades da Igreja, a fim de tornar eficiente a vida espiritual
do povo de Deus.
e) Prestar assistência pastoral.
f) Instruir os neófitos, dedicar atenção à infância, à adolescência, à mocidade, bem como aos
necessitados, aflitos, enfermos e desviados.
g) Exercer, juntamente com outros presbíteros, o poder coletivo de governo.
III. FUNÇÕES PRECÍPUAS DOS ADMINISTRADORES
Podemos identificar alguns deveres em nossa responsabilidade como despenseiros de Deus?
Tomamos como referência os nossos (já assumidos) compromissos confessionais, para
identificar sete compromissos nos quais o administrador, individualmente, e a Igreja,
corporativamente, devem estar envolvidos. São deveres do crente e de sua igreja, que aqui
selecionamos, numa lista que não pretende ser exaustiva. Para isto, vamos inicialmente
oferecer citações da Confissão de Fé, identificando a referência de capítulo e seção; a seguir,
destacamos alguns textos bíblicos relacionados ao compromisso em questão.
Como despenseiro da multiforme graça de Deus, você deve:
1. PROMOVER A PREGAÇÃO DO EVANGELHO AOS INDIVÍDUOS E ÀS
NAÇÕES
A revelação do evangelho a pecadores – para nações e indivíduos... Em todas as eras, a
pregação do evangelho tem sido feita em grande variedade de extensão ou limitação, a
indivíduos e a nações, de acordo com o conselho da vontade de Deus (20.3).
O evangelho é o único meio externo de revelação de Cristo e da graça salvadora, e, como tal,
é abundantemente suficiente para isso (20.4).
No exercício desse poder de que está investido, o Senhor Jesus chama a si aqueles que deste
mundo lhe foram dados pelo pai, através do ministério da Palavra, e por seu Espírito, a fim de
que possam caminhar diante dEle, em todos os caminhos que Ele lhes prescreve na Palavra
(26.5).
• João 10.16 – Ainda tenho outras ovelhas, não deste aprisco; a mim me convém conduzi-las;
elas ouvirão a minha voz; então haverá um rebanho e um pastor.
• Mateus 28.19,20 – Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome
do Pai e do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as cousas que vos tenho
ordenado. E eis que estou convosco todos os dias até a consumação do século.
• Marcos 16.15 – E disse-lhes: Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.
• Atos 1.8 – Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas
testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.
• Romanos 10.14,15,17 – Como, porém, invocarão aquele em que não creram? E como crerão
naquele de quem nada ouviram? E como ouvirão se não há quem pregue? E como pregarão se
não forem enviados? Como está escrito: Quão formosos são os pés dos que anunciam coisas
boas! E, assim, a fé vem pela pregação e a pregação pela palavra de Cristo.
O que você tem feito em prol da pregação do evangelho aos indivíduos e nações? Você crê
que tem responsabilidades pessoais com isto? E sua igreja, o que tem feito? Como você tem
se colocado na igreja diante deste dever?
2. BATALHAR PELA PRESERVAÇÃO DA PALAVRA DE DEUS, E TAMBÉM
PARA QUE ELA SEJA TRADUZIDA E DISSEMINADA NA LÍNGUA DE CADA
NAÇÃO
Visto que as Línguas Originais não são conhecidas de todo o povo de Deus – que tem direito
e interesse nas Escrituras, e que é ordenado a ler e examinar as Escrituras no temor de Deus –
os Testamentos devem ser traduzidos para a língua de cada nação, a fim de que,
permanecendo a Palavra no povo de Deus, abundantemente, todos adorem a Deus de maneira
aceitável, e pela paciência e consolação das Escrituras possam ter esperança (1.18).
• 2 Timóteo 3.15-17 – E que desde a infância sabes as sagradas letras que podem tornar-te
sábio para salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o
ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem
de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra.
• Isaías 8.20 – À lei e ao testemunho! Se eles não falarem desta maneira, jamais verão a alva.
• Lucas 16.29,31 – Respondeu Abraão: Eles têm Moisés e os profetas; ouçam-nos... Abraão,
porém, lhe respondeu: Se não ouvem a Moisés e aos profetas, tampouco se deixarão
persuadir, ainda que ressuscite alguém dentre os mortos.
• Romanos 15.4 – Pois tudo quanto outrora foi escrito, para o nosso ensino foi escrito, a fim
de que, pela paciência, e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança.
• 2 Pedro 1.19-21 – Temos assim tanto mais confirmada a palavra profética, e fazeis bem em
atendê-la, como a uma candeia que brilha em lugar tenebroso, até que o dia clareie e a estrela
da alva nasça em vossos corações; sabendo, primeiramente, isto, que nenhuma profecia da
Escritura provém de particular elucidação; porque nunca jamais qualquer profecia foi dada
por vontade humana, entretanto homens [santos] falaram de parte de Deus movidos pelo
Espírito Santo.
• Lucas 24.27,44 – E, começando por Moisés, discorrendo por todos os profetas, expunha-lhes
o que a seu respeito constava em todas as Escrituras... A seguir Jesus lhes disse: São essas as
palavras que eu vos falei, estando ainda convosco; que importava se cumprisse tudo o que de
mim está escrito na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos.
• 2 Tessalonicenses 2.13 – Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus, por vós, irmãos
amados pelo Senhor, por isso que Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela
santificação do Espírito e fé na verdade.
• João 16.13,14 – Quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade;
porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará as coisas
que hão de vir. Ele me glorificará porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar.
• João 6.45 – Está escrito nos Profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo
aquele que da parte do Pai tem ouvido e aprendido, esse vem a mim.
• Colossenses 3.16 – Habite ricamente em vós a Palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhaivos
mutuamente em toda sabedoria, louvando a Deus, com salmos e hinos e cânticos
espirituais, com gratidão, em vossos corações.
• Mateus 22.29 – Respondeu-lhes Jesus: Errais não conhecendo as Escrituras nem o poder de
Deus.
O que você tem feito a fim de que a Palavra de Deus seja traduzida e disseminada na língua
de cada nação? Você crê que tem responsabilidades pessoais com isto? E sua igreja, o que tem
feito? Como você tem se colocado na igreja diante deste dever?
3. PROMOVER A ADORAÇÃO A DEUS, DO MODO PRESCRITO NAS SAGRADAS
ESCRITURAS, O QUE INCLUI O CULTO PÚBLICO E A CELEBRAÇÃO DAS
ORDENANÇAS
[O Senhor Jesus] manda que as pessoas assim chamadas caminhem juntas, formando
sociedades locais, as igrejas, para a edificação mútua e a devida performance do culto público
que Ele requer dos seus neste mundo (26.5).
Todos os crentes têm a obrigação de congregar-se em igrejas locais, no lugar que lhes seja
possível, e quando lhes seja possível (26.12).
A adoração religiosa deve ser dada a Deus (22.2), com a “oração com ações de graças” (22.3),
“a leitura das Escrituras; a pregação e o ouvir da Palavra de Deus; o ensino e a advertência
mútua; o louvor, com salmos, hinos e cânticos espirituais... a administração do batismo, e a
Ceia do Senhor: todos são partes da adoração religiosa, que devem ser cumpridos em
obediência a Deus, com entendimento, fé, reverência e temor piedoso. Além disso, em
ocasiões especiais devem ser usados a humilhação solene, com jejuns, e as ações de graças, de
uma maneira santa e reverente” (22.5).
Deus deve ser adorado... Muito mais solenemente nos cultos públicos, os quais não devem ser
intencional ou inconseqüentemente negligenciados ou esquecidos, pois Deus mediante sua
Palavra e providência, nos conclama a prestá-lo (22.6).
O Batismo e a Ceia do Senhor são ordenanças que foram instituídas de maneira explícita e
soberana, pelo próprio Senhor Jesus – o único que é legislador. Ele determinou que sejam
continuadas em sua igreja estas ordenanças, até o fim do mundo (28.1).
No cumprimento da ordenança [da Ceia do Senhor], o Senhor Jesus determinou que seus
ministros orem e abençoem os elementos, pão e vinho, separando-os de seu uso comum para
um uso sagrado. Os ministros devem tomar e partir o pão; tomar o cálice e, participando eles
mesmos desses elementos, dá-los também, ambos, aos demais comungantes (30.3).
• João 4.23 – Mas vem a hora, e já chegou, quando os verdadeiros adoradores adorarão o Pai
em espírito e em verdade; porque são estes que o Pai procura para seus adoradores.
• Romanos 1.25 – ...pois eles mudaram a verdade de Deus em mentira, adorando e servindo a
criatura, em lugar do Criador, o qual é bendito eternamente. Amém.
• Salmo 95.1-7 – Vinde, cantemos ao Senhor, com júbilo, celebremos o rochedo da nossa
salvação. Saiamos ao encontro, com ações de graça, vitoriemo-lo com salmos. Porque o
Senhor é o Deus supremo, e o grande rei acima de todos os deuses. Em suas mãos estão as
profundezas da terra, e as alturas dos montes lhe pertencem. Dele é o mar, pois ele o fez;
obras de suas mãos os continentes. Vinde, adoremos e prostremo-nos, ajoelhemos diante do
Senhor que nos criou. Ele é o nosso Deus, e nós povo do seu pasto, e ovelhas de sua mão.
Hoje, se ouvirdes a sua voz...
• 1 Timóteo 4.13 – Até a minha chegada, aplica-te à leitura, à exortação, ao ensino.
• Colossenses 3.16 – Habite ricamente em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhaivos
mutuamente em toda sabedoria, louvando a Deus, com salmos e hinos e cânticos
espirituais, com gratidão, em vossos corações.
• Efésios 5.19 –... Falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor,
com hinos e cânticos espirituais...
• Atos 2.42 – E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas
orações.
• Atos 20.7 – No primeiro dia da semana, estando nós reunidos com o fim de partir o pão,
Paulo, que devia seguir de viagem no dia imediato, exortava-os e prolongou o discurso até a
meia-noite.
• Marcos 16.16 – Quem crer e for batizado será salvo; quem, porém, não crer será condenado.
• Mateus 26.26,27 – Enquanto comiam, tomou Jesus um pão, abençoando-o, o partiu e o deu
aos seus discípulos, dizendo: Tomai, comei; isto é o meu corpo. A seguir tomou um cálice e,
tendo dado graças, o deu aos discípulos, dizendo: Bebei dele todos.
• 1 Coríntios 11.26 – Porque todas as vezes que comerdes este pão e beberdes o cálice,
anunciais a morte do Senhor, até que ele venha.
O que você tem feito no sentido de promover a adoração a Deus, do modo prescrito nas
Sagradas Escrituras? O que você tem feito pela manutenção do culto público e das
Ordenanças de Cristo? Você crê que tem responsabilidades pessoais com isto? E sua igreja, o
que tem feito? Como você tem se colocado na igreja diante deste dever?
4. PRESTAR ASSISTÊNCIA MATERIAL AOS MINISTROS DA IGREJA
Imagem meramente ilustrativa.
Uma Igreja local, reunida e completamente organizada de acordo com a mente de Cristo,
consiste de membros e oficiais. Os oficiais designados por Cristo serão escolhidos e
consagrados pela igreja congregada. São eles os anciãos (ou bispos) e os diáconos (26.8).
A incumbência dos pastores é atender constantemente à obra de Cristo nas igrejas, no
ministério da Palavra e da oração, zelando pelo bem espiritual das almas que lhes foram
confiadas, e das quais terão de prestar contas a Cristo. As igrejas têm a incumbência de
prestar todo o respeito que é devido aos seus ministros; e fazê-los participantes de todas as
boas coisas materiais, de acordo com as possibilidades de cada igreja, para que os ministros
possam viver confortavelmente e não tenham que emaranhar-se em ocupações seculares,
podendo também exercer hospitalidade para com os outros. Isto é requerido pela própria lei da
natureza, e pelo mandato expresso de nosso Senhor Jesus, que ordenou “aos que pregam o
evangelho, que vivam do evangelho” (26.10).
Embora a tarefa de serem diligentes na pregação da Palavra seja, por definição de ofício, uma
incumbência dos bispos (os pastores) das igrejas, a pregação da Palavra não está confinada
exclusivamente a eles. Outras pessoas, que tenham sido dotadas e preparadas pelo Espírito
Santo, e que também tenham sido convocadas pela igreja, podem e devem ocupar-se com a
obra da pregação (26.11).
• Atos 6.4 – e, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra.
• Hebreus 13.17 – Obedecei aos vossos guias, e sede submissos para com eles; pois velam por
vossas almas, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não
gemendo; porque isto não aproveita a vós outros.
• 1 Timóteo 5.17,18 – Devem ser considerados merecedores de dobrados honorários os
presbíteros que presidem bem, com especialidade os que afadigam na palavra e no ensino.
Pois a Escritura declara: Não amordaces o boi, quando pisa o grão. E ainda: O trabalhador é
digno do seu salário.
• Gálatas 6.6,7 – Mas aquele que está sendo instruído na palavra faça participante de todas as
coisas boas aquele que o instrui. Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que
homem semear, isso também ceifará.
• 2 Timóteo 2.4 – Nenhum soldado em serviço se envolve em negócios desta vida, porque o
seu objetivo é satisfazer àquele que o arregimentou.
• 1 Timóteo 3.2 – É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só
mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro, apto para ensinar...
• 1 Coríntios 4.1 – Assim pois, importa que os homens nos considerem como ministros de
Cristo, e despenseiros dos mistérios de Deus.
• 1 Coríntios 9.6-14 – Ou somente eu e Barnabé não temos direito de deixar de trabalhar?
Quem jamais vai à guerra à sua própria custa? Quem planta a vinha e não come do seu fruto?
Ou quem apascenta um rebanho e não se alimenta do leite do rebanho? Porventura falo isto
como homem, ou não o diz também a lei? Porque na lei de Moisés está escrito: Não atarás a
boca ao boi que debulha. Acaso é de bois que Deus se preocupa? Ou é seguramente por nós
que ele o diz? Certo que é por nós que está escrito, pois o que lavra cumpre fazê-lo com
esperança; o que debulha, faça-o na esperança de receber a parte que lhe é devida. Se nós vos
semeamos as cousas espirituais, será muito recolhermos de vós bens materiais? Se outros
participam desse direito sobre vós, não o temos nós em maior medida? Entretanto não usamos
desse direito; antes suportamos tudo, para não criarmos qualquer obstáculo ao evangelho de
Cristo. Não sabeis vós que os que prestam serviços sagrados, do próprio templo se alimentam;
e quem serve ao altar, do altar tira o seu sustento? Assim ordenou também o Senhor aos que
pregam o evangelho, que vivam do evangelho.
O que você tem feito no sentido de assistir materialmente os ministros da Igreja? Em termos
práticos, qual a importância atribuída por você ao Ministério da Palavra? Você tem
contribuído para a manutenção de um Ministério fiel da Palavra em sua Igreja? Você crê que
tem responsabilidades pessoais com isto? E sua igreja, o que tem feito? Como você tem se
colocado na igreja diante deste dever?
5. EXPRESSAR A COMUNHÃO DOS SANTOS, INCLUINDO A ASSISTÊNCIA AOS
“DOMÉSTICOS DA FÉ”
Estando unidos uns aos outros no amor, [todos os santos] têm comunhão nos dons e nas
graças de cada um; e têm a obrigação de cumprir os deveres públicos ou particulares que, de
uma maneira ordeira, conduzam ao bem-estar comum, tanto em questões espirituais quanto
materiais (27.1).
Os santos, ao fazerem sua profissão de fé, comprometem-se a manter uma santa associação e
comunhão para adorar a Deus e prestar outros serviços espirituais, que tendam à sua mútua
edificação; também têm compromisso de socorrer uns aos outros em coisas materiais, de
acordo com as habilidades e as necessidades de cada um.
Esta comunhão, segundo a norma do evangelho, deve especialmente ser exercida no âmbito
familiar e nas igrejas; mas, conforme Deus ofereça oportunidade para isso, também deve ser
estendida a toda a família da fé, a todos os que, em todo lugar, invocam o nome do Senhor
Jesus.
Entretanto, a comunhão de uns com os outros, como santos, não destrói nem infringe o direito
ou a propriedade de cada pessoa, seus bens e possessões (27.2).
• 1 João 3.17,18 – Ora, aquele que possuir recursos deste mundo e vir a seu irmão padecer
necessidade e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus?
Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade.
• Gálatas 6.10 – Por isso, enquanto tivermos oportunidade, façamos o bem a todos, mas
principalmente aos da família da fé.
• Hebreus 10.24,25 – Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao
amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos, como é costume de alguns, antes,
façamos admoestações, e tanto mais quanto vedes que o dia se aproxima.
• 1 Pedro 4.10,11 – Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons
despenseiros da multiforme graça de Deus. Se alguém fala, fale de acordo com os oráculos de
Deus; se alguém serve, faça-o na força que Deus supre, para que em todas as cousas seja Deus
glorificado, por meio de Jesus Cristo a quem pertence a glória e o domínio pelos séculos dos
séculos. Amém.
• Tiago 2.14-17 – Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver
obras? Pode, acaso, semelhante fé salvá-lo? Se um irmão ou uma irmã estiverem carecidos de
roupa e necessitados do alimento cotidiano, e qualquer dentre vós lhes disser: Ide em paz,
aquecei-vos e fartai-vos, sem, contudo, lhes dar o necessário para o corpo, qual é o proveito
disso? Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta.
• 2 Coríntios 9. 1,5-15 – Ora, quanto à assistência a favor dos santos, é desnecessário
escrever-vos... Julguei conveniente recomendar-vos aos irmãos que me precedessem entre vós
e preparassem de antemão a vossa dádiva já anunciada, para que esteja pronta como expressão
de generosidade e não de avareza. E isto afirmo: aquele que semeia pouco, pouco também
ceifará; e o que semeia com fartura com abundância também ceifará. Cada um contribua
segundo tiver proposto no coração, não com tristeza ou por necessidade; porque Deus ama a
quem dá com alegria. Deus pode fazer-vos abundar em toda graça, a fim de que, tendo
sempre, em tudo, ampla suficiência, superabundeis em toda boa obra, como está escrito:
Distribuiu, deu aos pobres, a sua justiça permanece para sempre. Ora, aquele que dá semente
ao que semeia e pão para alimento também suprirá e aumentará a vossa sementeira e
multiplicará os frutos da vossa justiça; enriquecendo-vos, em tudo, para toda generosidade, a
qual faz que, por nosso intermédio, sejam tributadas graças a Deus. Porque o serviço desta
assistência não só supre a necessidade dos santos, mas também redunda em muitas graças a
Deus, visto como, na prova desta ministração, glorificam a Deus pela obediência da vossa
confissão quanto ao evangelho de Cristo e pela liberalidade com que contribuís para eles e
para todos, enquanto oram eles a vosso favor, com grande afeto, em virtude da
superabundante graça de Deus que há em vós. Graças a Deus pelo seu dom inefável!
O que você tem feito no sentido de expressar a comunhão dos santos, com a beneficência aos
“domésticos da fé”? Em sua prática, isto é algo regular e freqüente? Você crê que tem
responsabilidades pessoais com isto? E sua igreja, o que tem feito? Como você tem se
colocado na igreja diante deste dever?
6. BATALHAR PELA PROSPERIDADE E EXPANSÃO DE TODAS AS IGREJAS DE
CRISTO, EM TODO LUGAR E EM TODAS AS OCASIÕES
Os membros de cada igreja local devem orar continuamente pelo bem e pela prosperidade de
todas as igrejas de Cristo, em todo lugar. E devem trabalhar para a expansão da Igreja, em
todas as ocasiões, exercendo cada um os seus dons e graças, na sua área de atuação, e de
acordo com o seu chamamento (26.14).
As igrejas – quando dispostas pela providência de Deus de uma maneira em que isto seja
possível – devem desfrutar da oportunidade e vantagens de manterem comunhão entre si, a
fim de promoverem a paz, o amor, e a edificação mútua (26.14).
(...) Segundo a mente de Cristo, muitas igrejas devem reunir-se em comunhão, mediante
representantes, para considerar e opinar sobre o assunto de divergência; e o seu parecer deve
ser comunicado a todas as igrejas envolvidas (26.15).
• Romanos 16.1,2 – Recomendo-vos a nossa irmã Febe, que está servindo à igreja de
Cencréia, para que a recebais no Senhor como convém a santos, e a ajudeis em tudo que de
vós vier a precisar; porque tem sido protetora de muitos, e de mim inclusive.
• Atos 11.29,30 – Os discípulos, cada um conforme as suas posses, resolveram enviar socorro
aos irmãos que moravam na Judéia; o que eles, com efeito, fizeram, enviando-o aos
presbíteros por intermédio de Barnabé e de Saulo.
• 1 Coríntios 16.1,2 – Quanto à coleta para os santos, fazei vós também como ordenei às
igrejas da Galácia. No primeiro dia da semana cada um de vós ponha de parte, em casa,
conforme a sua prosperidade, e vá juntando, para que se não façam coletas quando eu for.
• 2 Coríntios 8.1-4, 11 – Também, irmãos, vos fazemos conhecer a graça de Deus concedida
às igrejas da Macedônia; porque, no meio de muita prova de tribulação, manifestaram
abundância de alegria, e a profunda pobreza deles superabundou em grande riqueza da sua
generosidade. Porque eles, testemunho eu, na medida de suas posses e mesmo acima delas, se
mostraram voluntários, pedindo-nos, com muitos rogos, a graça de participarem da assistência
aos santos... Completai, agora, a obra começada, para que, assim como revelastes prontidão
no querer, assim a leveis a termo, segundo as vossas posses.
• Filipenses 4.10, 14-17 – Alegrei-me, sobremaneira, no Senhor porque, agora, uma vez mais,
renovastes a meu favor o vosso cuidado; o qual também já tínheis antes, mas vos faltava
oportunidade... Fizestes bem, associando-vos na minha tribulação. E sabeis bem vós, ó
filipenses, que, no início do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja se
associou comigo no tocante a dar e receber, senão unicamente vós outros; porque até
Tessalônica mandastes não somente uma vez, mas duas, o bastante para minhas necessidades.
Não que eu procure o donativo, mas o que realmente me interessa é o fruto que aumente o
vosso crédito. Recebi tudo e tenho abundância; estou suprido, desde que Epafrodito me
passou às mãos o que me veio de vossa parte como aroma suave, como sacrifício aceitável e
aprazível a Deus.
O que você tem feito em prol da prosperidade e expansão das igrejas de Cristo, em todo
lugar? Tem batalhado sempre, e em todas as ocasiões? Você crê que tem responsabilidades
pessoais com isto? E sua igreja, o que tem feito? Como você tem se colocado na igreja diante
deste dever?
7. EXERCER OS “DEVERES DE NECESSIDADE E DE MISERICÓRDIA”
O dia de descanso é santificado ao Senhor quando os homens... ocupam o tempo em... deveres
de necessidade e de misericórdia (22.8).
As boas obras, feitas em obediência aos mandamentos de Deus, são os frutos e a evidência de
uma fé verdadeira e viva (16.2).
• Mateus 12.12-13 – Ora, quanto mais vale um homem que uma ovelha? Logo, é lícito fazer
bem aos sábados. Então disse ao homem: Estende a tua mão. Estendeu-a, e ela ficou sã como
a outra.
• Tiago 1.27 – A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os
órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo.
• Mateus 25.35-36 – Porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber;
era forasteiro, e me hospedastes; estava nu, e me vestistes; enfermo, e me visitastes; preso, e
fostes ver-me.
• Mateus 6.2-4 – Quando, pois, deres esmola... Tu, porém, ao dares a esmola, ignore a tua
mão esquerda o que faz a tua mão direita; para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai,
que vê em secreto, te recompensará.
• Atos 10.2, 4 –... piedoso e temente a Deus com toda a sua casa, e que fazia muitas esmolas
ao povo e de contínuo orava a Deus... E o anjo lhe disse: As tuas orações e as tuas esmolas
subiram para memória diante de Deus.
• Efésios 4.28 – Aquele que furtava, não furte mais; antes trabalhe, fazendo com as próprias
mãos o que é bom, para que tenha com que acudir ao necessitado.
O que você tem feito no sentido de cumprir seus deveres “de necessidade e de misericórdia”?
Isto se constitui algo regular, um estilo de vida? Você crê que tem responsabilidades pessoais
com isto? Você crê que deveria canalizar este esforço, tanto quanto possível, por meio do
Corpo de Cristo, que é a Igreja? E sua igreja, o que tem feito? Como você tem se colocado na
igreja diante deste dever?
Ao nos referirmos a crentes e igrejas confessionais, devemos nos lembrar que a questão, em
rigor, não é: Cremos que temos tais deveres? Tais deveres já estão pressupostos quando
fizemos a confissão pública de nossa fé naqueles termos, tanto como membros
individualmente, quanto também na comunhão do Corpo. Mas uma questão é certamente
pertinente: Quão importantes tais deveres têm sido para você e sua igreja? Você tem dado de
si mesmo, na proporção do dom de Deus, ou ainda acima das suas posses, a fim de que, para a
glória de Deus, tais propósitos sejam atingidos? Em termos práticos, o quanto lhe tem custado
regularmente, de tudo quanto Deus lhe tem colocado para administrar? Ao recolher os frutos
do sustento que Deus lhe tem dado regularmente, você se reconhece despenseiro da graça de
Deus?
No que diz respeito à contribuição financeira, o princípio bíblico de uma participação regular,
sistemática, deveria ser assumido. Por que deveríamos pressupor que podemos receber o
sustento do Senhor e não contribuir regularmente, na mesma freqüência e regularidade, para a
obra do Senhor? Precisamos patentear o compromisso do discípulo com seu Mestre, do
membro com o Corpo, das ovelhas com os pastores, da comunidade pactual com os pobres
(especialmente os da família da fé), da igreja local diante do mundo sem Cristo... Não
deveríamos simplesmente negligenciar nossos compromissos. E o seu compromisso com a
Casa de Deus também passa pelo fator financeiro. E neste caso, o desafio básico tem sido o
mesmo em toda a Bíblia: a sua renúncia e generosidade, e a priorização do reino de Deus e
sua justiça. E a expressão deste compromisso do crente, individualmente, e de nossas famílias,
coletivamente, deveria ser tão regular quanto o dom recebido, e tanto quanto a medida de
graça e generosidade que Deus coloca em nosso coração. Esse nos parece um bom princípio.
O Senhor e Mestre disse: “Porque onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração”
(Mt 6.21). Onde está o seu tesouro?
Devemos reconhecer a suprema verdade de que somos despenseiros, e procurar exercer
sabiamente a nossa administração, com o auxílio do Pai.
No reconhecimento desta verdade o crente deve entregar-se ao Mestre e pôr tudo à sua
disposição para o crescimento do seu Reino. Assuma um compromisso de ser um melhor
despenseiro, achado fiel e prudente pelo Senhor.
IV. FUNÇÕES PRECÍPUAS DA ADMINISTRAÇÃO
Como já afirmamos anteriormente, Stoner e Feeman, ensinam que Administração é o
"processo de planejar, organizar, liderar e controlar o trabalho dos membros da organização, e
de usar todos os recursos disponíveis da organização para alcançar os objetivos definidos”.
Veremos agora, quatro aspectos do processo da administração secular e que são também
importantes na vida da igreja:
1) Planejar: Significa estabelecer os objetivos da igreja, especificando a forma como eles
serão alcançados. Parte de uma sondagem do presente, passado e futuro, desenvolvendo um
plano de ações para atingir os objetivos traçados. É a primeira das funções, já que servirá de
base diretora à operacionalização das outras funções. Ao fazer o planejamento perguntamos: o
que queremos, quais são os nossos objetivos, qual nossa missão; que recursos dispomos e
quais deveremos buscar; quem nos irá ajudar nesta tarefa, etc.
2) Organizar: É a forma de coordenar todos os recursos da igreja, sejam humanos,
financeiros ou materiais, alocando-os da melhor forma segundo o planejamento estabelecido.
3) Dirigir ou liderar: Contrate e forme líderes que administrem a igreja. Guardada as devidas
proporções, é como um jogo de futebol, que em cada jogo (obstáculo) tenha que ser vencido
para que se ganhe o campeonato (planejamento). Motivar e incentivar a equipe.
Delegue autoridade e responsabilidade e cobre resultados. Elogie, premie, e comemore.
Lidere a equipe motivada e satisfeita para que o time alcance os objetivos. O trabalho em
equipe é que leva a igreja a ter sucesso, pois acabou a era do “eu sozinho”. Não acredito na
administração democrática, mas sim na participativa, onde as equipes envolvidas nos
processos eleitos para se atingir os objetivos do planejamento buscam juntas as soluções.
4) Controle ou Coordenação: O que não é medido é difícil de ser avaliado. O que não é
cobrado não é feito. Esta atividade é que nos permite dirigir e corrigir os trabalhos que não
estão sendo feitos dentro do nosso planejamento. Com o controle o líder pode premiar as
equipes que atingem os objetivos.
V. A ADMINISTRAÇÃO DO TEMPO
“Ponha as primeiras coisas em primeiro lugar e teremos as
segundas a seguir; ponha as segundas coisas em primeiro
lugar e perderemos ambas” C.S. Lewis
“Que insensatez temer o pensamento de desperdiçar a vida de
uma só vez, mas por outro lado, não ter nenhuma preocupação
em jogá-la fora aos poucos” John Howe
Nada caracteriza melhor a vida moderna do que o lamento, “Se
eu tivesse tempo...”
Esta é uma frase muito comum em nosso dia a dia. Aqueles
que estão sempre reclamando de falta de tempo geralmente não têm métodos para utilizá-lo e,
somente, comprovam que a problemática do tempo é não saber o que fazer com ele.
Uma análise das tarefas realizadas pelo pastor nos leva a fazermos a seguinte lista: as
inúmeras e cobradas visitas pastorais nos lares, reuniões com os presbíteros, reuniões para
discussões sobre os planos de trabalho, 4 ou cinco sermões semanais, estudos bíblicos, cada
um com uma média de duas a três horas de preparação, o boletim semanal, compromissos
para falar em outras igrejas, casamentos, funerais, colocar em dia a leitura, visitas aos
hospitais, algumas prioritárias (especialmente os idosos) etc.
Normalmente, o resultado desta correria para atender a tantos compromissos da agenda é a
constante tirania do urgente. Uma coisa é planejar nosso trabalho; outra é trabalhar nosso
plano.
Perguntas para reflexão:
1) Quais tarefas inacabadas são motivo de grande preocupação para você neste instante?
2) Faça uma lista de dois ou três objetivos mais importantes em sua vida para as duas
próximas semanas.
3) Quando foi a última vez que você separou ao menos uma hora para analisar a direção em
que você está indo?
Há uma grande diferença entre estar muito ocupado e ser produtivo. Claramente, podemos
observar que existem pessoas que se esgotam trabalhando e não conseguem progresso algum,
enquanto outras, com menor esforço, atingem objetivos e são bem sucedidas. Não podemos
esquecer também aqueles que vencem na vida trabalhando tanto que chegam a sacrificar
alguns valores extremamente importantes como o lazer, a família e, às vezes, até a saúde. Há
também aqueles que estão sempre girando em torno de tudo, como verdadeiros furacões, em
grande movimento. Contudo, quando analisados com profundidade, pouca coisa apresentam
de produtivo.
É provável que você já tenha ouvido o termo "workaholic".É uma expressão americana que
teve origem na palavra alcoholic (alcoólatra). Serve para denotar uma pessoa viciada, não em
álcool, mas em trabalho. As pessoas viciadas em trabalho sempre existiram, no entanto, esta
última década acentuou sua existência motivada pela alta competição, necessidade (talvez
mais adequado seria dizer obsessão) por dinheiro, vaidade, sobrevivência ou ainda alguma
necessidade pessoal de provar algo a alguém ou a si mesmo. Podemos encontrar esta figura
também no Ministério pastoral.
Veja como podemos caracterizar o "workaholic":
1. Trabalha mais que onze horas
2. Almoça trabalhando
3. Não tira férias de vinte dias há três anos
4. Eternamente insatisfeito
5. Acha que trabalha mais que os outros
6. Fala ao telefone mais de uma hora por dia (13% do dia)
7. Avalia as pessoas pelo seu aspecto profissional e, depois, pelo pessoal
Em corolário das características acima, podemos antever alguns sintomas geralmente
diagnosticados:
1. Ambiente tenso no lar;
2. Sensação de fracasso pessoal;
3. Dificuldades financeiras;
4. Exigência de um padrão de vida sempre superior, ou melhor.
Para não recebermos o rótulo de "workaholic", primeiramente, necessitamos nos organizar
melhor em relação ao tempo e, dessa forma, conhecer os tipos de "ladrões ou desperdiçadores
de tempo", e como podemos resolvê-los. Mas antes, precisamos entender que o tempo é :
Tempo: uma estrutura teológica
O Salmo 118:24 não deveria ser apenas um fato, mas nosso alvo em nosso uso do tempo: este
é o dia que o Senhor fez. Nosso alvo é que nosso uso do tempo deste dia reflita uma genuína
autoria de Deus. O puritano Jeremiah Burroughs estabeleceu um excelente princípio:
Esteja certo de seu chamado para todo empreendimento que você tiver à frente. Mesmo que
seja o menor empreendimento, esteja certo de seu chamado para o mesmo. Então, com o que
for que se encontrar, você pode aquietar seu coração com isto: eu sei que estou onde Deus
gostaria que eu estivesse. Nada no mundo aquietará o coração tanto quanto isto: quando me
encontro com alguma cruz, eu sei que estou onde Deus gostaria que eu estivesse em meu
lugar e em meu chamado: estou no trabalho que Deus estabeleceu para mim.
Claramente isto envolve considerar antecipadamente o que Deus nos tem chamado a fazer,
confiante de que este será o mais feliz e satisfatório uso de nosso tempo.
Um princípio semelhante chega até nós através de Efésios 5:16, traduzido como ‘remindo o
tempo’ e ‘fazendo o melhor de cada oportunidade’. O verbo é exagorazo. O ágora era o
mercado onde se comprava mercadorias e escravos. Exagorazo é fazer sua seleção a partir das
opções disponíveis. Em Efésios 5:16 o que está disponível é ton kairon: o tempo, mas tempo
de um certo tipo (pois existem duas palavras para tempo em grego): o tempo de hoje visto
como oportunidade, cheio de possibilidades de realizações ou perdas ressentidas.
Se combinarmos as palavras chegamos a este pensamento. Procuramos assegurar, como visto
tão extraordinariamente na vida de nosso Senhor, a autoria de Deus de nosso tempo de tal
forma que possamos dizer com confiança, ‘Este dia, o modo como está rendendo, é o dia que
o Senhor fez; alegro-me e regozijo-me nele. ’ É para esta tarefa que nos voltamos.
O gerenciamento do tempo é tanto uma arte quanto uma ciência, e tem uma literatura profusa.
Uma grande quantidade de cursos sobre isto está disponível tanto nas organizações seculares
como nas cristãs.
Nas páginas a seguir daremos algumas dicas que serão úteis para que possamos gerenciar
melhor o nosso tempo:
1. Mitos sobre a administração do tempo.
2. Razões para administrar o tempo:
3. Desperdiçadores e economizadores de tempo;
4. Dicas para se economizar tempo;
5. Soluções práticas para economizar tempo;
6. Como fazer reuniões criativas.
I. Mitos sobre Administração do Tempo
Comecemos por analisar alguns mitos acerca da administração do tempo.
1) O primeiro é que quem administra o tempo torna-se escravo do relógio. A verdade é
bem o contrário. Quem administra o tempo coloca-o sob controle, torna-se senhor dele. Quem
não o administra é por ele dominado, pois acaba fazendo as coisas ao sabor das pressões do
momento, não na ordem e no momento em que desejaria.
A verdade é que administrar o tempo não é programar a vida nos mínimos detalhes: é adquirir
controle sobre ela. É necessário planejar, sem dúvida. Mas é preciso ser flexível, saber fazer
correções de curso. Se você está fazendo algum trabalho e está inspirado, produzindo bem,
não há razão para parar, simplesmente porque o tempo alocado àquela tarefa expirou. Se a
tarefa que viria a seguir, em seu planejamento, puder ser re-agendada, sem maiores
problemas, não interrompa o que você vem fazendo bem. Administrar o tempo é fazer o que
você considera importante e prioritário, é ser senhor do próprio tempo, não é programá-lo nos
mínimos detalhes e depois tornar-se escravo dele.
2) O segundo mito é que a gente só produz mesmo, ou então só trabalha melhor, sob
pressão. Esse é um mito criado para racionalizar a preguiça, a indecisão, a tendência à
procrastinação. Não há evidência que o justifique, até porque os que assim agem poucas vezes
tentam trabalhar sem pressão para comparar os resultados sobre si mesmos e sobre os que os
circundam. A evidência, na verdade, justifica o contrário daquilo que expressa o mito. Em
contextos escolares, por exemplo, quem estuda ao longo do ano, com calma e sem pressões,
sai-se, geralmente, muito melhor do que quem deixa para estudar nas vésperas das provas e,
por isso, vê-se obrigado a passar noites em claro para fazer aquilo que deveria vir fazendo
durante o tempo todo. Nada nos permite concluir que o que vale no contexto escolar, a esse
respeito, não valha em outros contextos.
3) O terceiro mito é que administrar o tempo é algo que se aplica apenas à vida
profissional. Falso. Certamente há muitas coisas em sua vida pessoal e familiar que você
reconhece que deve e deseja fazer, mas não faz -"por falta de tempo". Você pode estar
querendo, há anos, reformar algumas coisas em sua casa, escrever um livro ou um artigo,
aprender uma outra língua, desenvolver algum hobby, tirar duas semanas sem perturbações
para descansar, curtir os filhos que estão crescendo, tudo isso sem conseguir. A culpa vai
sempre na falta de tempo. A administração do tempo poderá permitir que você faça essas
coisas em sua vida pessoal e familiar.
4) O quarto mito é que ter tempo é questão de querer ter tempo. Você certamente já
ouviu muita gente dizer isso. De certo modo essa afirmação é verdadeira - até onde ela vai.
Normalmente damos um jeito de arrumar tempo para fazer aquilo que realmente queremos
fazer. Mas a afirmação não diz tudo. Não basta simplesmente querer ter tempo para ter tempo.
É preciso também querer o meio indispensável de obter mais tempo -e esse meio é a
administração do tempo.
Contrária a esses mitos, a verdade é que administrar o tempo é saber usá-lo para fazer aquelas
coisas que você considera importantes e prioritárias, tanto no ministério pastoral, quanto na
vida pessoal. Administrar o tempo é organizar a sua vida de tal maneira que você obtenha
tempo para fazer as coisas que realmente gostaria de estar fazendo, e que possivelmente não
vem fazendo porque anda tão ocupado com tarefas urgentes e de rotina (muitas delas não tão
urgentes nem tão prioritárias) que não sobra tempo.
Quem tem tempo não é quem não faz nada: é quem consegue administrar o tempo que tem.
Todos nós conhecemos pessoas (um tio idoso, uma prima) que (pelos nossos padrões) não
fazem nada o dia inteiro e, no entanto, constantemente se dizem sem tempo.
Por outro lado, quem administra o tempo não é quem está todo o tempo ocupadíssimo. Pelo
contrário. Se você vir algum que trabalha o tempo todo, fica até mais tarde no serviço, traz
trabalho para casa à noite e no fim de semana, pode concluir, com certeza, que essa pessoa
não sabe administrar o tempo. Quem administra o tempo geralmente não vive numa corrida
perpétua contra o tempo, não precisa trabalhar horas extras - e, geralmente, produz muito
mais!
Mas não se engane: o processo de administrar o tempo não é fácil. É preciso realmente querer
tornar-se senhor de seu tempo para conseguir administrá-lo.
II. Razões para administrar o tempo
1) Tempo é Vida: o tempo é o recurso fundamental da nossa vida, a matéria prima básica de
nossa atividade.
Quando o nosso tempo termina, acaba a nossa vida. Não há maneiras de obter mais. Por isso,
tempo é vida. Quem administra o tempo ganha vida, mesmo vivendo o mesmo tempo.
Prolongar a duração de nossa vida não é algo sobre o qual tenhamos muito controle.
Aumentar a nossa vida ganhando tempo dentro da duração que ela tem é algo, porém, que está
ao alcance de todos.
O tempo é um recurso não renovável e perecível. Quando o tempo acaba, ele acaba mesmo. E
o tempo não usado não pode ser estocado para ser usado no futuro. O tempo não é como
riquezas, que podem ser acumuladas para uso posterior. Quem não administra o seu tempo
joga sua vida fora, porque um dia só pode ser vivido uma vez. Se o tempo de um dia não for
usado sabiamente, não há como aproveitá-lo no dia seguinte. Amanhã será sempre um novo
dia e o hoje perdido terá sido perdido para sempre.
Mas o tempo, embora não renovável e perecível, é um recurso democraticamente distribuído.
A capacidade mental, a habilidade, a inteligência, as características físicas são muito
desigualmente distribuídas entre as pessoas. O tempo, porém, enquanto estamos vivos, é
distribuído igualmente para todos. O dia tem 24 horas tanto para o mais alto executivo como
para o mais pobre desempregado.
Todos receberam 24 horas de tempo por dia. Na verdade, temos todo o tempo que existe: não
existe tempo que alguém possa guardar para si, em detrimento dos outros. Alguém pode
roubar meu dinheiro, os objetos que possuo. Mas ninguém consegue roubar meu tempo: outra
pessoa só conseguir determinar como eu vou usar meu tempo se eu o consentir.
Se for assim, devemos nos perguntar por que alguns produzem tanto com o tempo de que
dispõem e outros não conseguem produzir nada - no mesmo tempo. Não é que os últimos não
façam nada (não são daqueles que se levantam mais cedo apenas para ter mais tempo para não
fazer nada): às vezes são ocupadíssimos, e, no entanto, pouco ou mesmo nada produzem. A
explicação está no seguinte: o importante é o que fazemos com nosso tempo.
2) Tempo é Dinheiro
É importante se compenetrar do fato de que nosso tempo é valioso. Há pessoas e instituições
que estão dispostas a pagar dinheiro pelo nosso tempo. Por isso é que se diz que tempo é
dinheiro. Quem administra o tempo, na verdade, ganha não apenas vida: pode também
transformar esse ganho de vida em ganho de dinheiro.
Para alcançar um determinado resultado ou produzir alguma coisa, com determinado nível de
qualidade, precisamos investir fundamentalmente tempo e/ou dinheiro.
Imaginemos exemplos corriqueiros. Seu carro está precisando de uma limpeza. Ou é preciso
consertar a instalação elétrica de sua casa.
Suponhamos que você saiba lavar um carro e fazer um conserto elétrico com um nível de
qualidade aceitável, e que em ambos os casos o serviço vai levar cerca de uma hora de seu
tempo.
Independentemente de quanto valha a hora de seu tempo, se você não tem mais nada que
realmente queira fazer (como dormir, assistir a um jogo de futebol na TV, etc.),
provavelmente vai concluir que vale mais a pena você mesmo lavar o carro, ou consertar a
instalação elétrica, do que pagar um lava-carro ou um eletricista para fazer o serviço. O uso de
seu tempo economiza dinheiro, nesse caso. Se, porém, você pode empregar seu tempo
ganhando mais dinheiro do que você vai economizar, ou, então, se há coisas que você queira
fazer que são mais importantes, para você, do que o dinheiro que irá gastar, provavelmente
vai concluir que vale mais a pena pagar um lava-carro ou um eletricista para fazer o serviço.
Por outro lado, mesmo que você tenha tempo, se você deseja um trabalho de melhor nível de
qualidade do que aquele que é capaz de produzir pode valer mais a pena pagar um bom
profissional para fazer o serviço.
A questão a manter em mente é que o tempo tem um valor monetário para quem tem
objetivos: a decisão de empregá-lo ou não em determinada tarefa deve levar em consideração
esse valor. Se lavar o carro leva uma hora e você economiza dez reais fazendo, você mesmo, a
tarefa, então seu tempo, naquela situação, vale dez reais por hora. Por outro lado, se você não
tem nada mais a fazer, além da tarefa que está contemplando realizar, então o fator tempo
deixa de ser uma variável relevante.
Um outro exemplo pode ajudar. Suponhamos que você não possua nem bicicleta, nem carro,
nem helicóptero e queira ir a uma certa cidade. Você pode ir a pé (e levar três dias), alugar
uma bicicleta (e levar várias horas), ir de ônibus (e levar cerca de três horas, ponto a ponto),
tomar um taxi (e levar um hora), ou fretar um helicóptero (e levar quinze minutos). Cada uma
dessas opções envolve um certo uso de tempo e um determinado dispêndio de dinheiro. Se
você tem pouco tempo e bastante dinheiro, pode decidir gastar mais dinheiro e fretar o
helicóptero. Se você tem pouco dinheiro e bastante tempo, pode decidir ir a pé. Dependendo
da "mistura", você pode escolher uma das opções intermediárias.
A qualidade do resultado, porém, também precisa ser levada em consideração. Indo a pé, você
vai chegar à cidade cansado, sujo, estropiado. Indo de helicóptero, você vai chegar como saiu.
Isso pode eventualmente pesar na decisão.
Digamos, portanto, que um investimento de tempo T e de dinheiro $ produz um resultado com
um determinado nível de qualidade Q.
Se continuarmos a investir a mesma quantidade de tempo e de dinheiro, é de esperar que a
qualidade vai se manter a mesma. Se aumentarmos o investimento de tempo, podemos manter
a qualidade diminuindo o investimento de dinheiro, ou vice versa.
Se aumentarmos o investimento de tempo, mantendo o investimento de dinheiro estacionário,
ou vice-versa, podemos melhorar a qualidade, que pode ser mais melhorada ainda se
aumentarmos ambos os investimentos. Se diminuirmos o investimento de tempo, mantendo o
investimento de dinheiro estacionário, ou vice-versa, iremos piorar a qualidade, que pode ser
pior ainda se reduzirmos ambos os investimentos.
Por aí você vê que pode trocar seu tempo por dinheiro. Na verdade, o trabalho é uma permuta
de tempo por dinheiro: alguém me paga pelo meu tempo (isto é, pelo meu tempo produtivo).
E isso nos traz à questão da produtividade.
3) Administração do Tempo e Produtividade
Quem administra o tempo, aumenta sua produtividade. Produtividade é o produto da eficácia
pela eficiência.
Ser eficaz é fazer as coisas certas, isto é, fazer aquilo que consideramos importante e
prioritário. Ser eficiente é fazer as coisas certas, isto é, com a menor quantidade de recursos
possível.
Ser produtivo é fazer certo as coisas certas, isto é, fazer aquilo que consideramos importante e
prioritário com a menor quantidade de recursos possível. E tempo é um recurso fundamental:
nada pode ser feito sem tempo. Por isso ele é freqüentemente escasso e caro.
É possível ser eficaz, isto é, fazer o que precisa ser feito, sem ser eficiente. Todos conhecemos
pessoas que fazem o que devem fazer, mas levam tempo demasiado, ou gastam muito
dinheiro, para fazê-lo. Essas pessoas são eficazes, mas ineficientes.
Por outro lado, todos conhecemos pessoas que fazem, de maneira extremamente eficiente,
coisas que não são essenciais, que não têm a menor importância. Quem consegue colocar cem
mil pedras de dominó em pé‚ sem derrubar nenhuma, possivelmente seja muito eficiente
nessa tarefa, mas extremamente ineficaz.
Vemos, talvez até mais freqüentemente, pessoas que são ineficazes e ineficientes. Todos já
vimos o balconista de loja ou o caixa de banco que tenta atender a mais de um freguês ou
cliente ao mesmo tempo, que simultaneamente tenta responder às perguntas de outro,
conversar com colegas que vêm pedir informações ou jogar conversa fora, etc. Esse indivíduo
parece ocupado, na verdade está ocupado, mas é improdutivo: no mais das vezes não
consegue fazer as coisas que devem ser feitas nem fazer o que faz de maneira correta.
Tornar mais eficiente quem é ineficaz (por exemplo, dando-lhe um computador) às vezes até
piora a situação. Um exemplo exagerado pode ajudar. Um bêbado a pé é ineficaz e
(felizmente) ineficiente. Se o colocarmos ao volante de um automóvel, poderá tornar-se muito
mais eficiente em sua ineficácia (isto é, fazer muito mais rapidamente o que não deveria fazer,
causando um dano muito maior).
Ser produtivo, portanto, não é a mesma coisa que ser ocupado. Está errado o ditado americano
que diz: "Se você quer algo feito, dê isso para uma pessoa ocupada". A pessoa pode ser
ocupada e não produtiva, em cujo caso não fará a tarefa adicional que lhe está sendo pedida.
4) Administração do Tempo e Redução de Stress
Quem administra o tempo reduz o stress causado pelo mau uso do tempo. Aqui também a
idéia de mau uso ou desperdício do tempo pressupõe a noção de objetivos.
Se não tenho nenhum objetivo, seja profissional, seja pessoal, então provavelmente vou deixar
o tempo fluir, despreocupadamente, como um rio que passa por debaixo de uma ponte. Não
há como avaliar meu uso do tempo nesse caso. A única coisa que posso querer fazer é "matar
o tempo". Numa situação como essa, provavelmente não vou ter stress.
O tempo aparece como bem ou mal usado apenas para a pessoa que tem objetivos, que quer
realizar alguma coisa. O bom ou mau uso do tempo depende do que se pretende alcançar . O
mau uso do tempo causa stress porque tempo mal usado é tempo usado para fazer aquilo que
não consideramos importante e prioritário.
Usar o tempo de forma não planejada não equivale, necessariamente, a fazer mau uso do
tempo (como já se indicou). Freqüentemente temos que alterar nosso planejamento, fazer
coisas que não estavam na nossa agenda. Nosso tempo só terá sido desperdiçado se essas
alterações nos levarem a fazer coisas que não consideramos importantes.
Mau uso do tempo não é ficar sem fazer nada, gastar tempo no lazer, dedicar tempo a hobbies
ou à família, se é isso que julgamos importante e queremos - e todos nós desejamos isso em
determinados momentos. Se, entretanto, num dado momento, você realmente quer estar lendo
um livro, ou trabalhando num relatório, e se vê obrigado a fazer um passeio com as crianças,
ou a entreter familiares, você se sente tenso, porque o tempo não estará sendo utilizado para
aquilo que você considera importante e prioritário naquele momento - e, portanto, não estará
sendo bem usado.
É sempre bom lembrar que, da mesma forma que o mau uso do tempo causa stress, o bom uso
do tempo normalmente traz satisfação, sentido de realização e felicidade.
III. LADRÕES E ECONOMIZADORES DE TEMPO
Entendemos por "desperdiçadores de tempo" disfunções que provocam o uso inadequado ou
insatisfatório do tempo na perspectiva do pastor e líder ou da igreja.
Uma pesquisa feita em vinte e um países, com aproximadamente dois mil executivos de várias
organizações, apresentou como desperdiçadores de tempo mais comuns, trinta e sete itens.
Vamos detalhar abaixo os principais desperdiçadores de tempo que tenho visto no meu
pastorado:
1. Falta de Planejamento;
2. Telefonemas
3. Distrações
4. Visitas inesperadas;
5. Tarefas inacabadas ou falta de disciplina no cumprimento da agenda;
6. Definição clara de objetivos na execução das tarefas;
7. Falta de delegação ou Centralização de poder. Excesso de compromissos: Incapacidade de
dizer "não": O excesso de tarefas freqüentemente paralisa: a pessoa não sabe por onde
começar e acaba ficando imobilizada.
8. Menosprezo ou ênfase inadequada em certas atividades;
9. Indefinição de prioridades e cobrança incompleta e descontínua;
10. Fragmentação e superficialidade;
11. Excesso de reuniões (algumas desnecessárias) e burocracia interna;
12. Indefinição de prioridades;
13. Má utilização dos recursos (telefone, fax, computador, Internet,);
14. Mesa entulhada ou desorganização pessoal;
15. Arquivamente ineficiente
16. Proscrastinação: É preciso distinguir a tendência à procrastinação do bom senso que
recomenda não tomar uma decisão no calor de uma discussão, ou quando não há informações
suficientes, ou coisa equivalente.
Por outro lado, você poderá utilizar-se dos “economizadores de tempo” através da:
IV. DICAS PARA SE ECONOMIZAR TEMPO
A seguir, apresentamos sete técnicas eficazes, atitudes e comportamentos que podem
economizar seu tempo:
Planejamento: toda hora aplicada em planejamento eficiente poupa três ou quatro na
execução e produz melhores resultados.
Organização: a organização é um outro fator facilitador na execução das tarefas; uma aliada
do tempo. Ela deve existir principalmente nas informações.
Delegação: atribuição de tarefas para outras pessoas a fim de liberar o tempo para tarefas
mais importantes. É a chave da administração eficaz.
Benefícios da delegação:
1) A delegação facilita o trabalho do pastor;
2) A delegação aumenta a produtividade,
3) A delegação dá oportunidade a outros de desenvolver a capacidade de liderança,
4) A delegação dá ao líder mais tempo de desenvolver sua vida espiritual.
Telefone: use-o para evitar deslocamento desnecessário para obter informações.
Comunicação: a linguagem simples, concisa e isenta de ambigüidades assegura a
compreensão e poupa o tempo com mal-entendidos.
Tomada de decisões: a análise de decisão tem que ser precisa e baseada em informações
seguras para que o problema possa ser atacado de forma imediata.
Concentração: tempo mínimo (anterior a ação) que se julgar necessário para conseguir
progresso em menos tempo.
Enumeramos abaixo soluções práticas que o ajudarão a economizar tempo:
1. Estabeleça metas: anuais, mensais, semanais e diárias;
2. Programe suas tarefas e atividades da semana e do dia, em função dessas metas;
3. Faça as coisas em ordem de prioridade;
4. Saiba onde seu tempo é realmente empregado;
5. Estabeleça data e hora para início e fim de cada atividade;
6. Elimine desperdiçadores de tempo;
7. Utilize uma agenda ou um calendário de reuniões;
8. Crie uma lista de afazeres;
9. Organize as tarefas;
10. Organize seu acesso com rapidez de informações usadas com freqüência.
VI. COMO FAZER REUNIÕES CRIATIVAS
Imagem meramente ilustrativa.
Vamos a algumas dicas que tornarão suas reuniões mais criativas e geradoras de resultados:
1. Só convoque uma reunião quando totalmente indispensável;
2. Estabeleça os objetivos;
3. Elabore uma pauta, fixando tempo para cada assunto;
4. Coloque só as pessoas às quais o assunto interessa;
5. Mantenha o rumo da discussão;
6. Sintetize as conclusões;
7. Faça o acompanhamento de todas as decisões tomadas.
CRITÉRIOS DE CLASSIFICAÇÃO DAS TAREFAS E COMPROMISSOS
Os critérios de classificação das tarefas e compromissos são pontos fundamentais para
corrigirmos nossos desperdiçadores de tempo. Quantas vezes não nos deparamos com
situações em que determinado compromisso era considerado como urgente? Geralmente os
critérios são distorcidos. Algumas tarefas são importantes e não urgentes; outras, são
importantes e urgentes; algumas, não são nem importantes nem urgentes, de acordo com o
quadro abaixo.
URGENTE NÃO URGENTE
IMPORTANTE
-Crises Maiores - Pressão
dos Projetos -Limite Crítico
no Projeto -Emergências
Familiares -Desastres
Naturais
-Preparação - Planejamento -
Prevenção de Crises -Criando
Relacionamento -Manutenção
NÃO IMPORTANTE
-Interrupções - Alguns emails
e telefonemas -
Algumas reuniões -Pressão
nos projetos devido à
proximidade dos prazos
-Dia-a-dia - Alguns e-mails e
telefonemas -Algumas
reuniões -Pressão nos projetos
devido à proximidade dos
prazos
Tendo em vista a otimização do tempo, a idéia principal não é conseguir corrigir todos os
itens que nos levam ao desperdício de tempo. Até porque isso é impossível, visto que muitos
destes itens decorrem de fatores que não correspondem apenas ao lado pessoal, como o
ambiente de trabalho, por exemplo. Se focarmos em tentar resolver quatro ou cinco pontos
que consideramos críticos na nossa rotina cotidiana, te
remos uma considerável melhoria nos
resultados, aumentando, assim, a produtividade.
Ratificando as citações acima relatadas, denota-se que o tempo é distribuído
democraticamente para todos, sem distinção alguma. Percebemos vinte e quatro horas,
igualitárias, a fim de utilizarmos da maneira mais apropriada e conveniente. Infelizmente, não
temos muito controle para prolongarmos a nossa vida. O que podemos fazer, é aumentarmos a
vida, ganhando tempo dentro dela. E isso está ao alcance de todos, basta um pouco de esforço
e determinação.

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